terça-feira, 13 de dezembro de 2011
HUMOR: Fases da bebedeira
ENSAIO: "Os usos da Temporalidade na Escrita da História"
Resenha do artigo Os usos da temporalidade na escrita da História
por Leandro J M CardosoEm seu artigo sobre “Os usos da temporalidade na escrita da História”[1], o Prof. Dr. José D’Assunção Barros[2] tem por objetivo refletir sobre as diversas restrições e limitações que enredam a historiografia, desde o âmbito institucional “até aquelas que se referem a padrões e tendências que imperceptivelmente se imiscuem na própria visão de mundo do historiador”, no seu discurso e “no modo mesmo de produzir este discurso.” (p. 144)
Segundo o autor, a imposição de determinadas formas estereotipadas de tratar o tempo são talvez, “algumas das maiores restrições que perseguem os historiadores sem que alguns deles disto se dêem conta” (p. 144). Nisto incluem-se uma determinada maneira de representar o tempo ou de narrar os eventos de forma linear e progressiva, como também, as restringidas possibilidades de elaborar recortes temáticos para a pesquisa histórica.
Barros chama a atenção para um fenômeno que acaba por limitar as possibilidades expressivas e as práticas narrativas e descritivas do historiador: “uma determinada imagem de temporalidade fundada em um tempo linear que avança para a frente e que não admite recuos [...]. Inconscientemente o historiador se prende, sem contestá-la, a esta imagem que lhe parece ser a representação natural do tempo cotidiano: linear, progressiva, irreversível, geradora de eventos singulares que se encadeiam sucessivamente do passado para o futuro em uma continuidade sem fim à qual deve se reder o homem comum.” (p. 145)
Esta mesma visão tempo impregna boa parte dos historiadores contemporâneos, visto que subsiste entranhada no homem ocidental moderno. “Preso à imagem que julga muitas vezes ser a representação natural, e talvez única, do tempo cotidiano [...] o historiador desavisado adota quase que automaticamente certos procedimentos narrativos na sua prática historiográfica. Quando se trata de dar à sua história um feição narrativa, o historiador recua habitualmente até um ponto do passado, e a partir daí vai percorrendo o tempo linearmente para frente. A história é então contada de maneira muito simples...” Entretanto, o autor nos adverte “que o ‘tempo narrativo’, que pode ser manipulado criativamente por aquele que narra, não deve ser confundido com o ‘tempo dos acontecimentos que são narrados’.” (p. 146-147)
O autor instiga os historiadores mais tradicionais de serem eles mesmos, “nos seus modos de escrever a história”, os “senhores do tempo”. Isto é: “do seu ‘tempo narrativo’ – e de que não precisam se prender à linearidade cronológica e à fixidez progressiva ao ocuparem o lugar de narradores de uma história ou ao se converterem naqueles que descrevem um processo histórico.” (p.147)
E, prosseguindo, são lançadas as questões-chave do artigo de Barros: “Se o texto historiográfico é como que um mundo regido pelo historiador, por que não investir no domínio de novas formas de dizer o tempo? Por que tratar o tempo sempre da mesma maneira, banal e estereotipada, como se estivéssemos tão presos a este tempo quanto os próprios personagens da trama histórica que descrevemos, ou como se fôssemos mais vítimas do discurso do que os seu próprios criadores?” (p. 147)
Portanto, o autor propõe romper com os padrões de habituais de representação do tempo, assim como ousaram os grandes romancistas modernos do século XX. “O moderno romance do século XX, na sua incessante busca por novos modos de expressão e de apresentação do texto literário, já acenou há muito com uma riqueza de possibilidades narrativas que não parecem ter sido assimiladas por uma historiografia que, pelo menos neste aspecto, é ainda demasiado tradicional.” Romper com os padrões tradicionais de representação do tempo implicaria em inventar novos recursos discursivos, “de representar o passado, mais ou menos na mesma linha de ousadias e novidades que os romancistas modernos encontraram para pôr em enredo as suas estórias de uma maneira mais rica e criativa”. (p. 147)
Neste sentido, segundo o autor, Marc Bloch já havia pressentido que os modelos de temporalidade ameaçam oprimir o historiador na prática de seu ofício. No entanto, considera-o ainda preso a uma determinada imagem de tempo. Pois, Bloch recusa a este mesmo historiador (enquanto escritor, narrador) “novas maneiras de representação da História que não as que estejam rigorosamente atreladas ao tempo linear progressivo convencional”. (p.148)
De outra parte, Barros cita teóricos como Fernand Braudel, José Carlos Reis, Norman Davis como exemplos de autores que buscaram repensar o problema do tempo histórico, enfrentando-o criativamente. Na observação do autor, é preciso continuar a renovação da prática historiográfica, e, para tanto, seria preciso “não apenas ‘olhar o tempo de uma maneira nova, mas também ‘dizer o tempo’ de forma inovadora...” (p. 149) Quanto a isto, outras tentativas são recolhidas por Peter Burke que reúne, em uma de suas obras, um “excelente apanhado de novas experiências de elaborar uma narrativa ou descrição historiográfica”. (p.150)
Prossegue, convidando-nos “a que se reflita sobre a quantidade de teses que já nascem deformadas por um recorte imposto por uma única maneira de recortar o espaço e o tempo. As pressões acadêmicas [...], tudo contribui para fornecer ao historiador imagens contra as quais ele deve criticamente se debater, mas às quais, frequentemente, ele costuma se render”. (p. 152)
O autor finaliza seu artigo deixando-nos uma última reflexão após sua excelente exposição argumentativa: “O desafio, enfim está em superar os antigos padrões de exposição textual, e com isto os próprios padrões mais tradicionais de tratamento da temporalidade. [...] O historiador deveria assumir antes a posição de um ‘senhor do tempo’ do que a posição de uma de suas vítimas”. (p. 154)
_________________
[1] In: SAECULUM – Revista de História [13]; João Pessoa, jul./dez. 2005. p. 144-154.
[2] Doutor em História Social pela Universidade Federal Fluminense. Professor da Universidade Severino Sombra, de Vassouras (RJ), nos Cursos de Mestrado e Graduação em História, onde leciona disciplinas ligadas ao campo da Teoria e Metodologia da História.
Procure viver como um cão...
1. Nunca deixe passar a oportunidade de sair para um passeio.
2. Experimente a sensação do ar fresco e do vento na sua face por puro prazer.
3. Quando alguém que você ama se aproxima, corra para saudá-la(o).
4. Quando houver necessidade, pratique a obediência.
5. Deixe os outros saberem quando invadirem o seu território.
6. Sempre que puder, tire uma soneca e se espreguice antes de se levantar.
7. Corra, pule e brinque diariamente.
8. Coma com gosto e entusiasmo, mas pare quando estiver satisfeito.
9. Seja sempre leal.
10. Nunca finja ser algo que você não é.
11. Se o que você deseja está enterrado, cave até encontrar.
12. Quando alguém estiver passando por um mau dia, fique em silêncio, sente-se próximo e gentilmente tente agradá-lo.
13. Quando chamar a atenção deixe alguém tocá-lo.
14. Evite morder quando apenas um rosnado resolver.
15. Nos dias mornos, deite-se de costas sobre a grama.
16. Nos dias quentes, beba muita água e descanse embaixo de uma árvore frondosa.
17. Quando você estiver feliz, dance e balance todo o seu corpo.
18. Não importa quantas vezes for censurado, não assuma a culpa que não tiver e não fique
amuado... corra imediatamente de volta para seus amigos.
19. ... E alegre-se com o simples prazer de uma caminhada.
(autor desconhecido)
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
ENSAIO: "Inclusão Digital - algumas considerações"
ALUNO: Leandro J. M. Cardoso
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Augusto. Dos Anjos?
Francisco de Assis Barbosa, o grande biógrafo de Augusto dos Anjos (e sem seu estudo jamais poderíamos coligir as presentes notas), transcreve curioso episódio pós-morte do poeta:
"Dias depois da sua morte, ocorrida em Leopoldina, Órris Soares e Heitor Lima caminhavam pela Avenida Central e pararam na porta da Casa Lopes Fernandes para cumprimentar Olavo Bilac. O Príncipe dos poetas notou a tristeza dos amigos, que acabavam de receber a notícia.
- E quem é esse Augusto dos Anjos - perguntou.
Diante do espanto de seus interlocutores, Bilac insistiu:
- Grande poeta? Não o conheço. Nunca ouvi falar nesse nome. Sabem alguma coisa dele?
Heitor Lima recitou o soneto: Versos a um coveiro, Bilac ouviu pacientemente, sem interrompê-lo. E, depois que o amigo terminou o último verso, sentenciou com um sorriso de superioridade:
- Era este o poeta? Ah, então, fez bem em morrer. Não se perdeu grande coisa."
Apesar disso, e de tudo, Augusto dos Anjos ficou.
Hoje, um dos três mais lidos, e conhecidos, poetas de antes do Modernismo, em língua portuguesa no Brasil, ao lado de nosso Castro Alves e da lírica Marília de Dirceu de Tomás Antonio Gonzaga.
No chão do pátio central da Faculdade FACHA (R. Muniz Barreto, 51, Botafogo), hoje, novembro de 1987, rigorosamente 73 anos após sua morte, se lê, bem visível, pintado a tinta a óleo pelos alunos:
"Augusto. Dos Anjos?"
______
* in Antologia poética de Augusto dos Anjos, 1997
POESIA: Augusto dos Anjos
Como um fantasma que se refugia
Na solidão da natureza morta,
Por trás dos ermos túmulos, um dia,
Eu fui refugiar-me à tua porta!
Fazia frio e o frio que fazia
Não era esse que a carne nos conforta...
Cortava assim como em carniçaria
O aço das facas incisivas corta!
Mas tu não vieste ver minha Desgraça!
E eu saí, como quem tudo repele,
- Velho caixão a carregar destroços -
Levando apenas na tumbal carcaça
O pergaminho singular da pele
E o chocalho fatídico dos ossos!