terça-feira, 13 de dezembro de 2011

HUMOR: Fases da bebedeira

1ª fase: A alegria: vc começa a rir de coisas bobas
2ª fase: Negação: apesar de vc estar pra lá de Bagdá, vc continua falando q tá sóbrio.
3ª fase: Amizade: vc começa a ficar amigo de todo mundo: do barman, do tio mendigo.
4ª fase: Cegueira: essa fase é muito perigosa pois nesse momento vc já começa a achar todo mundo bonito!
5ª fase: Invisível: nesse momento, vc acha que tá invisível e que ninguém tá te vendo, portanto, vc faz cagadas achando que ninguém nem percebeu, qdo na verdade, todo mundo está olhando pra vc
6ª fase: Momento da verdade: perigoso pois vc começa a dizer as verdades pra todo mundo.
7ª fase: Nostalgia: nesse momento vc chora dizendo que todo mundo ali é seu amigo do peito e não sabe o q faria sem eles. é nessa fase tb q as pessoas começam a ligar para os exs namorados.
8ª fase: Línguas: é a hora de falar inglês, espanhol, aramaico.
9ª fase: Depressão: depois de rir muito e se divertir, bate aquela depressão.
10ª fase: Amnésia...
A maioria parace com vc ...
(autoria desconhecida)

ENSAIO: "Os usos da Temporalidade na Escrita da História"

Resenha do artigo Os usos da temporalidade na escrita da História

por Leandro J M Cardoso

Em seu artigo sobre “Os usos da temporalidade na escrita da História”[1], o Prof. Dr. José D’Assunção Barros[2] tem por objetivo refletir sobre as diversas restrições e limitações que enredam a historiografia, desde o âmbito institucional “até aquelas que se referem a padrões e tendências que imperceptivelmente se imiscuem na própria visão de mundo do historiador”, no seu discurso e “no modo mesmo de produzir este discurso.” (p. 144)

Segundo o autor, a imposição de determinadas formas estereotipadas de tratar o tempo são talvez, “algumas das maiores restrições que perseguem os historiadores sem que alguns deles disto se dêem conta” (p. 144). Nisto incluem-se uma determinada maneira de representar o tempo ou de narrar os eventos de forma linear e progressiva, como também, as restringidas possibilidades de elaborar recortes temáticos para a pesquisa histórica.

Barros chama a atenção para um fenômeno que acaba por limitar as possibilidades expressivas e as práticas narrativas e descritivas do historiador: “uma determinada imagem de temporalidade fundada em um tempo linear que avança para a frente e que não admite recuos [...]. Inconscientemente o historiador se prende, sem contestá-la, a esta imagem que lhe parece ser a representação natural do tempo cotidiano: linear, progressiva, irreversível, geradora de eventos singulares que se encadeiam sucessivamente do passado para o futuro em uma continuidade sem fim à qual deve se reder o homem comum.” (p. 145)

Esta mesma visão tempo impregna boa parte dos historiadores contemporâneos, visto que subsiste entranhada no homem ocidental moderno. “Preso à imagem que julga muitas vezes ser a representação natural, e talvez única, do tempo cotidiano [...] o historiador desavisado adota quase que automaticamente certos procedimentos narrativos na sua prática historiográfica. Quando se trata de dar à sua história um feição narrativa, o historiador recua habitualmente até um ponto do passado, e a partir daí vai percorrendo o tempo linearmente para frente. A história é então contada de maneira muito simples...” Entretanto, o autor nos adverte “que o ‘tempo narrativo’, que pode ser manipulado criativamente por aquele que narra, não deve ser confundido com o ‘tempo dos acontecimentos que são narrados’.” (p. 146-147)

O autor instiga os historiadores mais tradicionais de serem eles mesmos, “nos seus modos de escrever a história”, os “senhores do tempo”. Isto é: “do seu ‘tempo narrativo’ – e de que não precisam se prender à linearidade cronológica e à fixidez progressiva ao ocuparem o lugar de narradores de uma história ou ao se converterem naqueles que descrevem um processo histórico.” (p.147)

E, prosseguindo, são lançadas as questões-chave do artigo de Barros: “Se o texto historiográfico é como que um mundo regido pelo historiador, por que não investir no domínio de novas formas de dizer o tempo? Por que tratar o tempo sempre da mesma maneira, banal e estereotipada, como se estivéssemos tão presos a este tempo quanto os próprios personagens da trama histórica que descrevemos, ou como se fôssemos mais vítimas do discurso do que os seu próprios criadores?” (p. 147)

Portanto, o autor propõe romper com os padrões de habituais de representação do tempo, assim como ousaram os grandes romancistas modernos do século XX. “O moderno romance do século XX, na sua incessante busca por novos modos de expressão e de apresentação do texto literário, já acenou há muito com uma riqueza de possibilidades narrativas que não parecem ter sido assimiladas por uma historiografia que, pelo menos neste aspecto, é ainda demasiado tradicional.” Romper com os padrões tradicionais de representação do tempo implicaria em inventar novos recursos discursivos, “de representar o passado, mais ou menos na mesma linha de ousadias e novidades que os romancistas modernos encontraram para pôr em enredo as suas estórias de uma maneira mais rica e criativa”. (p. 147)

Neste sentido, segundo o autor, Marc Bloch já havia pressentido que os modelos de temporalidade ameaçam oprimir o historiador na prática de seu ofício. No entanto, considera-o ainda preso a uma determinada imagem de tempo. Pois, Bloch recusa a este mesmo historiador (enquanto escritor, narrador) “novas maneiras de representação da História que não as que estejam rigorosamente atreladas ao tempo linear progressivo convencional”. (p.148)

De outra parte, Barros cita teóricos como Fernand Braudel, José Carlos Reis, Norman Davis como exemplos de autores que buscaram repensar o problema do tempo histórico, enfrentando-o criativamente. Na observação do autor, é preciso continuar a renovação da prática historiográfica, e, para tanto, seria preciso “não apenas ‘olhar o tempo de uma maneira nova, mas também ‘dizer o tempo’ de forma inovadora...” (p. 149) Quanto a isto, outras tentativas são recolhidas por Peter Burke que reúne, em uma de suas obras, um “excelente apanhado de novas experiências de elaborar uma narrativa ou descrição historiográfica”. (p.150)

Prossegue, convidando-nos “a que se reflita sobre a quantidade de teses que já nascem deformadas por um recorte imposto por uma única maneira de recortar o espaço e o tempo. As pressões acadêmicas [...], tudo contribui para fornecer ao historiador imagens contra as quais ele deve criticamente se debater, mas às quais, frequentemente, ele costuma se render”. (p. 152)

O autor finaliza seu artigo deixando-nos uma última reflexão após sua excelente exposição argumentativa: “O desafio, enfim está em superar os antigos padrões de exposição textual, e com isto os próprios padrões mais tradicionais de tratamento da temporalidade. [...] O historiador deveria assumir antes a posição de um ‘senhor do tempo’ do que a posição de uma de suas vítimas”. (p. 154)

_________________

[1] In: SAECULUM – Revista de História [13]; João Pessoa, jul./dez. 2005. p. 144-154.

[2] Doutor em História Social pela Universidade Federal Fluminense. Professor da Universidade Severino Sombra, de Vassouras (RJ), nos Cursos de Mestrado e Graduação em História, onde leciona disciplinas ligadas ao campo da Teoria e Metodologia da História.

Procure viver como um cão...

1. Nunca deixe passar a oportunidade de sair para um passeio.

2. Experimente a sensação do ar fresco e do vento na sua face por puro prazer.

3. Quando alguém que você ama se aproxima, corra para saudá-la(o).

4. Quando houver necessidade, pratique a obediência.

5. Deixe os outros saberem quando invadirem o seu território.

6. Sempre que puder, tire uma soneca e se espreguice antes de se levantar.

7. Corra, pule e brinque diariamente.

8. Coma com gosto e entusiasmo, mas pare quando estiver satisfeito.

9. Seja sempre leal.

10. Nunca finja ser algo que você não é.

11. Se o que você deseja está enterrado, cave até encontrar.

12. Quando alguém estiver passando por um mau dia, fique em silêncio, sente-se próximo e gentilmente tente agradá-lo.

13. Quando chamar a atenção deixe alguém tocá-lo.

14. Evite morder quando apenas um rosnado resolver.

15. Nos dias mornos, deite-se de costas sobre a grama.

16. Nos dias quentes, beba muita água e descanse embaixo de uma árvore frondosa.

17. Quando você estiver feliz, dance e balance todo o seu corpo.

18. Não importa quantas vezes for censurado, não assuma a culpa que não tiver e não fique

amuado... corra imediatamente de volta para seus amigos.

19. ... E alegre-se com o simples prazer de uma caminhada.

(autor desconhecido)

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

ENSAIO: "Inclusão Digital - algumas considerações"

Resenha do artigo Exclusão Digital: Algumas Reflexões*
por Leandro J. M. Cardoso

Em seu artigo “Exclusão Digital: Algumas Reflexões”, o Profº Dr. João Pedro Albino, tem o intuito de “apresentar e discutir alguns aspectos da exclusão digital, procurando contextualizá-la no Brasil e apresentar seus aspectos mais importantes”.

“Atualmente vivemos no mundo da Sociedade da Informação, cuja principal conseqüência é a explosão informacional, caracterizada, sobretudo pela aceleração dos processos de produção e de difusão massiva de informação e do conhecimento. [...] Culturas e identidades coletivas são uma conseqüência dessa nova era”. É de se pensar, de acordo com o autor, que a sociedade como um todo passa por um processo de padronização de culturas e costumes.

O autor, citando Marcos Araújo, aponta para o fato de serem alguns cientistas entusiastas do uso cada vez mais intenso das novas tecnologias de informação. Entre eles, o sociólogo Manuels Castel, que defende o lado positivo do papel das novas tecnologias de informação na geração do conhecimento as quais beneficiam, sobretudo, a área da educação, ampliando “a capacidade das pessoas de progredir em seus conhecimentos, criar riqueza e utilizá-la mais sabiamente que as gerações anteriores”; e, o filósofo Pierre Levy, que “ressalta a interação entre as novas tecnologias da informação e a educação e constata o papel das novas tecnologias intelectuais [...] que acabam por aumentar o potencial de inteligência coletiva humana”.

Poderíamos assim, neste contexto, concluir que a nova economia da informação viria ao mundo “como um novo modo de evitar a exclusão social e para dar oportunidades aos menos favorecidos, uma vez que, pelo uso dos computadores e da internet, todos poderiam ter direito ao livre acesso à informação”. Porém, nos esclarece Albino, dados de pesquisas recentes realizadas por instituições de pesquisa, como o Ipsos Public Affairs e o IBGE revelam uma outra face da realidade brasileira apontando para a “gravidade da exclusão digital no Brasil”.

A exclusão digital, prossegue o autor, é um conceito dos campos teóricos das ciências humanas “que diz respeito às extensas camadas das sociedades que ficaram à margem do fenômeno da sociedade da informação e da expansão das redes digitais”.

O grande equívoco do mito da inclusão digital reside no fato (de acordo com o Araújo citado por Albino), das atenções estarem centradas em indicadores quantitativos e materiais como número de equipamentos disponíveis ao público, “ampliação das redes de cabeamentos, aumento da velocidade de transmissão, desenvolvimento de inteligências artificiais, comercialização de equipamentos e serviços. Quando o tema da exclusão digital é considerado, muitos desses defensores continuam presos ao conceito material do problema”.

Prossegue o autor, afirmando em concordância com Ferrari, que o fenômeno da exclusão digital é protegido por uma “muralha digital que procura convencer as pessoas que a inclusão está ali”. Há de se pertencer então, “aos interessados no autêntico processo de inclusão”, a tarefa de “reclassificar os personagens e paisagens desta história. Há que se reconhecer cidadãos além de consumidores e assim buscar a superação do bloqueio” imposto por essa muralha.

Têm-se a impressão de que a informação está mais acessível ao grande público tornando os cidadãos mais independentes. Mas o que vemos, na realidade, é que os chamados “bens informacionais” não são realmente de domínio público como muitos defensores das tecnologias de informação acreditam – estão encobertos por uma muralha.

Assim, deixam de serem avaliadas as questões mais substanciais como a questão do analfabetismo, presente em grande parcela das populações dos países ditos em desenvolvimento, entre eles o Brasil, impedindo através dessa grave deficiência social, o acesso às informações disponibilizas pelos atuais recursos tecnológicos de informação e de geração de conhecimento. Problemas como este, muito em voga nos países em desenvolvimento, não podem ser resolvidos apenas pela tecnologia, pois dependem de posicionamentos e atitudes políticas que cercam a tecnologia e lhe dão conteúdo.

Como exemplo de atitude político-social eficaz, Albino, através das palavras de Ferrari, cita a primorosa característica institucional do CDI – Comitê para a Democratização da Informática. “O CDI é uma organização não governamental e sem fins lucrativos que tem como missão institucional promover a inclusão social utilizando a tecnologia da informação como um instrumento para a construção da cidadania e, portanto suprir a carência de políticas públicas mais sérias para a inclusão digital” – e para isso também contou com o apoio técnico da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e o apoio financeiro de diversas empresas.

O Brasil tem milhões de pessoas incapazes de ler e escrever. Imagine-se o quanto assustadoramente numeroso seria descobrir a quantidade de brasileiros considerados analfabetos digitais! Em nível de exemplo, basta-se estar presente em uma agência bancária, quando do pagamento dos benefícios sociais aos segurados da Previdência Social, para tornar-se evidente, aos nossos olhos, do grande número de analfabetos e destituídos digitais, despreparados e sem mínimas condições para viver e interagir com as máquinas – neste caso, daquelas denominadas de “terminais de auto-atendimento”.

De acordo com pesquisas realizadas pelo IBGE (2006), “apenas 10 a 11% da população tem contato com computadores e internet. Cerca de 89% dos brasileiros são excluídos digitais”.

Assim, esse pós-moderno fenômeno social – o qual recebe a denominação de exclusão digital – “aflige a população devido à má distribuição de renda e deficiência da educação pública, deixando a população carente marginalizada tecnologicamente, [...] gerando uma competição por empregos de forma desigual [...]. Além disso, por não ter acesso às informações e serviços, o excluído digitalmente não tem como exercer plenamente a sua cidadania, o que consequentemente pode ocasionar e acelerar sua baixa estima”.

“O que se precisa então” para tentar minimizar a fenômeno da exclusão digital no Brasil, conclui o Prof. Dr. João Pedro Albino, “são iniciativas como as do CDI e FGV que promovam a inclusão digital”. Enfim, na visão do autor são necessárias “algumas atitudes proativas e de continuidade, tais como: a redução do custo do equipamento, práticas educacionais que estimulem o uso dos recursos de informática por meio de redes de acesso ao público, dentre outros”.
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* UNESP - CECEMCA / Curso de Formação de Tutores para a Inclusão Digital (EaD) - 08/2008
TUTORA: Ms. Dalva Mariana.
ALUNO: Leandro J. M. Cardoso

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Augusto. Dos Anjos?

Ivan Cavalcanti Proença*

Francisco de Assis Barbosa, o grande biógrafo de Augusto dos Anjos (e sem seu estudo jamais poderíamos coligir as presentes notas), transcreve curioso episódio pós-morte do poeta:

"Dias depois da sua morte, ocorrida em Leopoldina, Órris Soares e Heitor Lima caminhavam pela Avenida Central e pararam na porta da Casa Lopes Fernandes para cumprimentar Olavo Bilac. O Príncipe dos poetas notou a tristeza dos amigos, que acabavam de receber a notícia.

- E quem é esse Augusto dos Anjos - perguntou.

Diante do espanto de seus interlocutores, Bilac insistiu:

- Grande poeta? Não o conheço. Nunca ouvi falar nesse nome. Sabem alguma coisa dele?

Heitor Lima recitou o soneto: Versos a um coveiro, Bilac ouviu pacientemente, sem interrompê-lo. E, depois que o amigo terminou o último verso, sentenciou com um sorriso de superioridade:

- Era este o poeta? Ah, então, fez bem em morrer. Não se perdeu grande coisa."

Apesar disso, e de tudo, Augusto dos Anjos ficou.

Hoje, um dos três mais lidos, e conhecidos, poetas de antes do Modernismo, em língua portuguesa no Brasil, ao lado de nosso Castro Alves e da lírica Marília de Dirceu de Tomás Antonio Gonzaga.

No chão do pátio central da Faculdade FACHA (R. Muniz Barreto, 51, Botafogo), hoje, novembro de 1987, rigorosamente 73 anos após sua morte, se lê, bem visível, pintado a tinta a óleo pelos alunos:

"Augusto. Dos Anjos?"

______
* in Antologia poética de Augusto dos Anjos, 1997

POESIA: Augusto dos Anjos

Solitário

Como um fantasma que se refugia
Na solidão da natureza morta,
Por trás dos ermos túmulos, um dia,
Eu fui refugiar-me à tua porta!

Fazia frio e o frio que fazia
Não era esse que a carne nos conforta...
Cortava assim como em carniçaria
O aço das facas incisivas corta!

Mas tu não vieste ver minha Desgraça!
E eu saí, como quem tudo repele,
- Velho caixão a carregar destroços -

Levando apenas na tumbal carcaça
O pergaminho singular da pele
E o chocalho fatídico dos ossos!