Ivan Cavalcanti Proença*
Francisco de Assis Barbosa, o grande biógrafo de Augusto dos Anjos (e sem seu estudo jamais poderíamos coligir as presentes notas), transcreve curioso episódio pós-morte do poeta:
"Dias depois da sua morte, ocorrida em Leopoldina, Órris Soares e Heitor Lima caminhavam pela Avenida Central e pararam na porta da Casa Lopes Fernandes para cumprimentar Olavo Bilac. O Príncipe dos poetas notou a tristeza dos amigos, que acabavam de receber a notícia.
- E quem é esse Augusto dos Anjos - perguntou.
Diante do espanto de seus interlocutores, Bilac insistiu:
- Grande poeta? Não o conheço. Nunca ouvi falar nesse nome. Sabem alguma coisa dele?
Heitor Lima recitou o soneto: Versos a um coveiro, Bilac ouviu pacientemente, sem interrompê-lo. E, depois que o amigo terminou o último verso, sentenciou com um sorriso de superioridade:
- Era este o poeta? Ah, então, fez bem em morrer. Não se perdeu grande coisa."
Apesar disso, e de tudo, Augusto dos Anjos ficou.
Hoje, um dos três mais lidos, e conhecidos, poetas de antes do Modernismo, em língua portuguesa no Brasil, ao lado de nosso Castro Alves e da lírica Marília de Dirceu de Tomás Antonio Gonzaga.
No chão do pátio central da Faculdade FACHA (R. Muniz Barreto, 51, Botafogo), hoje, novembro de 1987, rigorosamente 73 anos após sua morte, se lê, bem visível, pintado a tinta a óleo pelos alunos:
"Augusto. Dos Anjos?"
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* in Antologia poética de Augusto dos Anjos, 1997
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