PALAVRA AFIADA
Fica a face apedrejada
Pela palavra proferida
Mas a boca apedrejante
Fica também ferida.
E muito mais dilacerada
Fica a boca emudecida
Por não dizer ao outro
As dores de sua ferida.
Muito mais ferida ainda
Fica a boca equivocada
De quem quis dizer “te amo”
E o outro entendeu “não és nada”.
Muito dolorida é a boca
De palavra enferrujada
Que ao beijar o amor
Fere com dura espada.
Muito mais de tudo isso
É a boca calada,
Uma língua emudecida
Ou a palavra negada.
A ofensa, a palavra dura,
A mágoa, a incerteza,
Se são ditas, são sabidas
E propiciam defesa.
Mas a palavra afiada
Arma de muito perigo
E quem dela faz o uso
Pode matar o amigo.
Ruy Póvoas
(Kàwé – Núcleo de Estudos Afro-Baianos Regionais – UESC)
Agenda UESC 1999
Nenhum comentário:
Postar um comentário