segunda-feira, 1 de março de 2010

POESIA: Dorival de Freitas

POEMA DO OUTEIRO

Casinhas montadas no outeiro
Sem linha
- parece um presépio –
que paz reina ali!

Casinhas de barro,
casinhas de palha,
de porta pequena
porque as paredes
não dão pra maior.

Parece um presépio,
Casinhas montadas no outeiro sem luz!
Quem mora no outeiro montado de casas?
- parece um presépio! –
São santos, talvez...

Casinhas furadas,
sem quartos,
sem camas,
com esteiras por terra
e carnes no chão
que a noite impudica
mistura, confunde...
não há inocentes dormindo no chão...
Depois o trabalho,
A pedra,
O machado,
a roupa pra fonte
as arraias na rua
e as casas vazias
se olhando na lama,
na lama do outeiro que a chuva lavou.

De noite, o fifó
Que pinta de luz o espaço vazio
e pinta de negro as palhas do teto
que vestem, de vez os corpos nuzinhos.
Casinhas pequenas!
Segredos de alcova
ali são comuns e todos escutam.

Casinhas pequenas pra tanta miséria!...
Quem mora no outeiro
Montado de casas?
- Parece um calvário! –
São santos,
eu sei!

Dorival de Freitas (1956)
(Filosofia e Ciências Humanas – UESC)
Agenda UESC 1999

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